Ator e dramaturgo Ary Sherlock morre, aos 70 anos, deixando legado para as artes cearenses
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Ary caracterizado de Papa durante sua participação na peça “Francisco-O Homem que se tornou santo”, exibida em Canindé. |
Com profundo pesar, a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) divulgou em suas redes sociais, nesta segunda-feira, 3 de fevereiro, a notícia do falecimento de Ary Sherlock, uma das maiores referências das artes cênicas do Brasil. O multifacetado artista, com um vasto potencial criativo, marcou sua trajetória em diversas áreas: ator, diretor, autor, radialista, letrista, dramaturgo, produtor e educador, entre outras atividades. O artista é conhecido também por sua atuação na peça “Francisco - O homem que se tornou Santo”, exibida em Canindé desde 1999 e que terá apresentações retomadas nas festividades canindeenses deste ano.
A Trajetória de Ary Sherlock
Nascido em Sobral, Ary Sherlock começou sua carreira no dia 25 de novembro de 1954, quando estreou no palco do Teatro José de Alencar com a peça Os Mortos Sem Sepultura, de Jean-Paul Sartre. Esse momento foi um marco não apenas para o artista, mas também para a cultura cearense, que ganhava um novo e talentoso nome nas artes cênicas.
"Com 70 anos de carreira, Ary percorreu um caminho que atravessou fronteiras, levando sua arte a teatros, televisão, cinema e até à educação. Seu nome está eternamente gravado nas encenações da Paixão de Cristo no Ceará, e sua voz e atuação perpetuam a arte de uma geração ímpar do teatro cearense. Fez parte de importantes grupos como o Teatro Jangada, o Teatro de Brinquedos e o Grupo Jograis do Ceará”, destacou a publicação da Secult-Ce.
Desde 1999, Ary brilhou ao interpretar o Papa na peça Francisco, o Homem que se Tornou Santo, um trabalho que consolidou sua carreira no teatro nacional. Como um dos pioneiros da televisão cearense, trabalhou intensamente na TV Ceará Canal 2, primeira emissora do estado, sendo responsável por uma produção prolífica de teledramaturgia. Também assinou colunas sobre literatura, teatro e cinema no Gazeta de Notícias e foi responsável por novelas em rádios locais como a PRE-9 e a Dragão do Mar. Suas letras para trilhas sonoras das novelas Quando as Nuvens Passam e As Duas Órfãs também marcaram sua versatilidade artística.
Além das Fronteiras
Além de seu trabalho no Ceará, Ary Sherlock se destacou no cinema nacional. Atuou em filmes como Luzia Homem (1987), Noviço Rebelde (1997), As Tentações do Irmão Sebastião (2006) e Cine Holliúdi (2012), reforçando sua versatilidade e habilidade de se adaptar a diferentes linguagens artísticas.
Sua influência também se estendeu ao Piauí, onde contribuiu significativamente para o desenvolvimento das artes cênicas locais, ampliando seu legado para além das fronteiras de seu estado natal. Em 2017, o Theatro José de Alencar prestou uma justa homenagem ao artista com a “Comenda Geração de Ouro”, reconhecendo seu imenso talento e contribuição ao teatro cearense. Com um legado imortal, Ary Sherlock permanecerá para sempre uma figura fundamental na história das artes cênicas no Ceará e no Brasil.
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