Mestre Chico Belo: Guardião da tradição do couro no Sertão Cearense
Em meio ao município de Caridade, nos Sertões de Canindé, uma figura se destaca por sua trajetória rica e pelo papel essencial que desempenha na preservação da cultura do couro no Ceará: Mestre Chico Belo. Reconhecido por seis décadas de dedicação ao artesanato em couro, ele é uma das personalidades mais respeitadas no cenário cultural cearense e brasileiro. Mais do que um artesão, Chico Belo é um mestre que dedica sua vida à transmissão de saberes e à continuidade de uma tradição secular que reflete a identidade e a resistência cultural dos povos do sertão.
O trabalho de Mestre Chico Belo com o couro curtido não é apenas uma prática artesanal, mas um ato de resistência cultural. A técnica de curtir o couro, aprendida e aprimorada ao longo dos anos, é transmitida de geração em geração, garantindo que as habilidades e o conhecimento do ofício sobrevivam ao tempo. A tradição do couro curtido no Ceará remonta aos primeiros habitantes da região e, hoje, representa a força do sertanejo e sua capacidade de transformar matéria bruta em arte.
Chico Belo herdou essa arte de seus antepassados e, ao longo de mais de 60 anos de trabalho, desenvolveu um estilo próprio que lhe rendeu reconhecimento tanto local quanto nacional. Ele produz peças que vão desde acessórios do dia a dia, como especiais e bolsas, até itens mais elaborados, como arreios e selas adornados com detalhes que expressam a alma do sertão.
TRANSMISSÃO DO SABER
Para Mestre Chico Belo, preservar a tradição significa mais do que apenas criar. Ele vê a importância de ensinar a arte do couro aos jovens aprendizes, garantindo que a cultura não se perca com o passar do tempo. Seu instituto, fundado em 2010, é um espaço dedicado à formação de novos artesãos e artesãs, especialmente aqueles vindos de comunidades em situação de vulnerabilidade.
MESTRE SERTANEJO
A figura de Mestre Chico Belo é uma referência no sertão. Ele não apenas produz arte, mas também construiu pontes entre gerações e fortalece o sentimento de pertencimento na região. Sua presença em feiras de artesanato e eventos culturais é um lembrete vivo da importância do patrimônio imaterial e da cultura popular. Chico Belo é frequentemente convidado para compartilhar suas histórias e sua arte, sendo visto como um porta-voz da tradição nordestina.
Além do reconhecimento artístico, ele é admirado como líder comunitário. Sua contribuição ao sertão vai além do artesanato, ao representar a resiliência do povo sertanejo e a força de sua cultura. Sua trajetória tem projetos inspirados de incentivo ao artesanato no Ceará e colaborada para que a tradição do couro siga viva nas novas gerações, respeitando suas raízes e buscando inovação.
PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL
O trabalho de Mestre Chico Belo ganhou destaque e apoio em diversas iniciativas que buscam fortalecer a economia criativa e fomentar a profissionalização de artes em diversas cidades cearenses. Ele levou sua expertise além dos limites de Canindé, formando uma rede de talentos e possibilitando que a couro curtido cearense ganhasse novos admiradores e apreciadores.
O legado de Mestre Chico Belo não se restringe aos Sertões de Canindé, mas é parte essencial do patrimônio cultural do Ceará e do Brasil. Sua trajetória reflete a importância da preservação da memória e da tradição, mantendo viva a história e a identidade cultural do sertão para as próximas gerações.
Mestre Chico Belo é mais do que um artesão: é um símbolo de resistência, saber e amor à cultura. Em cada peça que cria, há um pedaço do sertão, e em cada aula que dá, há a esperança de que o couro, a tradição e a história sigam vivos no coração e nas mãos daqueles que aprendem com ele.
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