Colônia Tia Nalda leva cultura, inclusão e saberes às comunidades rurais de Itatira

 

Projeto realiza formação cultural para crianças de 6 a 12 anos, com foco na inclusão, na cultura popular e no protagonismo infantil no sertão cearense

A II Edição da Colônia Tia Nalda: Comunidades de Terreiros Criativos chegará às comunidades rurais de Itatira com uma proposta inovadora de formação cultural voltada para a infância, unindo arte, educação, inclusão social e valorização da cultura popular. O projeto atende crianças de 6 a 12 anos e suas famílias, com atenção especial a crianças com deficiência, Transtorno do Espectro Autista (TEA), estudantes da rede pública e famílias beneficiárias de programas sociais.

Desenvolvida nas comunidades de Poço da Pedra, São Gonçalo, Bandeira e na sede de Itatira, a iniciativa se consolida como uma ação de fortalecimento cultural e social nos territórios rurais, levando atividades formativas para espaços onde o acesso à arte e à cultura ainda é limitado.

“A Colônia Tia Nalda nasce do desejo de garantir às crianças o direito de brincar, criar e reconhecer sua própria cultura como algo valioso”, destaca a idealizadora do projeto, Reginalda Alencar.

Oficinas inspiradas no Reisado Boi dos Caretas

Entre as ações que serão desenvolvidas estão oficinas culturais de teatro brincante, confecção de bonecos de mamulengo e colagem artística, todas inspiradas na tradição do Reisado Boi dos Caretas, uma das mais importantes manifestações culturais de Itatira.

As atividades promoverão o contato direto das crianças com elementos simbólicos da cultura popular local, estimulando a criatividade, a oralidade, a memória e o sentimento de pertencimento ao território.

Inventário cultural feito pelas crianças

Um dos diferenciais do projeto é a realização de um inventário cultural participativo, conduzido pelas próprias crianças. A proposta incentiva os participantes a registrar saberes, memórias e práticas culturais de suas comunidades, como o funcionamento das casas de farinha, histórias de moradores antigos e tradições comunitárias transmitidas entre gerações.

“Quando a criança se reconhece como guardiã da memória do seu lugar, ela passa a compreender o valor da sua história e da sua identidade”, reforça a coordenação do projeto.

Trajetória e compromisso com a cultura popular

A proponente da Colônia Tia Nalda é Reginalda Alencar, professora especializada em educação infantil e práticas lúdicas, produtora cultural e referência na cultura popular de Itatira. Com mais de 40 anos de atuação no Pastoril Menino Deus, Reginalda construiu uma trajetória marcada pelo trabalho com a infância, pelo fortalecimento da cultura local e pela inclusão social por meio da arte.

“Minha missão sempre foi usar a cultura como ferramenta de acolhimento, aprendizado e transformação social”, afirma Reginalda.

Acessibilidade e inclusão como princípios

A Colônia Tia Nalda se destaca pelo compromisso com a acessibilidade, garantindo intérprete de Libras durante as atividades, uso de linguagem simples nos materiais, vagas específicas para crianças autistas e bolsas de incentivo, assegurando a permanência dos participantes ao longo das ações.

Ao final das atividades, cada comunidade receberá uma culminância cultural, com apresentações artísticas, exposição dos trabalhos produzidos pelas crianças, entrega de certificados e momentos de celebração coletiva com as famílias e moradores.

Apoio institucional e impacto social

O projeto conta com o apoio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE), por meio da Política Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura, além do Departamento de Cultura de Itatira e das escolas municipais parceiras.

Mais do que uma ação cultural, a Colônia Tia Nalda vem se firmando como um convite à comunidade para reconhecer a infância como espaço de criação, identidade e transformação social.

“Quando a cultura chega às comunidades, ela fortalece os laços, valoriza os saberes e constrói futuros possíveis”, conclui a equipe do projeto.







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